segunda-feira, 28 de novembro de 2016

j.f.,

já não parto para ficar.
parto por não estar mais ninguém aqui, há tanto, demasiado tempo.
passei meses, semanas, dias, a repetir o mesmo - ó tempo, por favor, volta para trás.
não vai voltar.
parto porque há novos passos, novos rumos, novos pôres do sol para eu ver.
mais sorrisos para dar, gargalhadas, teorias malucas para (re)desenvolver.

aguardo-te do lado de cá,

Beijinhos,

S.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

fio condutor

sou sempre contra corrente.
e não hei-de descansar a cabeça na almofada antes de chegar ao destino - pôr-do-sol connosco nos braços, sorrisos na cara, felicidade na vida. os meus amigos por perto, os teus também.
força-me a acreditar que estou mais perto agora do que estava ontem, sim?

segunda-feira, 28 de março de 2016

fechar portas, apagar as luzes. e voltar atrás.

Este texto é uma metáfora.
Na minha vida, faço isto inúmeras vezes. Quer dizer, fiz. Tenho vindo a fazer. É triste, mas tem tudo a ver com impulsos e dificuldade em controlá-los. Abro e fecho portas, deixo-as semi abertas na esperança - muitas vezes vã - que alguém faça questão de entrar. Deixo as pessoas ficarem entre portas, não as convido para ficar, mas queria muito. E porque a vida é irreversível, as portas acabam por se fechar. E eu faço sempre questão de as trancar. Porque quando se fecha uma porta abre-se sempre uma janela - e aguardo por iniciativa do lado de lá, sempre o egoísmo, o orgulho. O Salazar dizia que estávamos "orgulhosamente" sós. Tento convencer-me disso. Outras vezes fico com vontade de me fechar a sete chaves, no meu mundo, deixar de ver o pôr-do-sol, estar só é a pior coisa do mundo, não foi para isto que eu nasci, viver é perder e ganhar, mas chega disso. Reabro janelas, abro portas. Do lado de lá, nada. Até porque nada é eterno.
E o ciclo repete-se...

terça-feira, 15 de março de 2016

ponto final parágrafo

Vivemos a vida toda à espera de qualquer coisa. De alcançar este ou aquele objectivo, que os outros mudem em função de nós, do que queremos e do que esperamos que eles façam e sejam. Do que um dia vamos ter para conseguir chegar nem sabemos bem onde. Ou que apareça a pessoa XPTO que vai transformar o nosso modo de estar na vida.
Os dias passam, as horas, os meses, os minutos, tudo na máquina misturadora do mundo.
De há uns tempos para cá sinto mais revolta que aceitação, parece que o mundo à minha volta vai lentamente partindo, e eu não sinto que vá na direcção correcta. Porque é que isto não pára de andar, porque é que até parados estamos sempre a andar?
Há duas semanas atrás respondia que não era dia de aceitar, era de questionar, de chorar. Hoje, igual. Porque não há anúncio que chegue para a dor, para a tristeza. Nunca estamos preparados para a infelicidade, Mesmo que aparentemente existam sorrisos, conversas de circunstância, setenta mil intelectualizações porque todos os rios correm para o mar...
O tempo suficiente dará as ferramentas para ver os pontos positivos do dia de amanhã. Ou de depois de amanhã. Por agora, espero fazer ponto final parágrafo à dor, como quando era pequena e o ditado acabava de vez.

Fim.

domingo, 31 de janeiro de 2016

a prova em como sou "timeproof"

Continuo, sempre, à espera do que já sei que não vem. Na esperança - vã - que a magia aconteça!
Hoje apetecia-me que alguém me acordasse com um balde de água fria. Podia falar em chinês, desde que eu entendesse que era para me desejar um Feliz Ano Novo. Porque se o Natal é quando um Homem quiser, porque não fazer um Ano Novo dentro do ano velho? Diz que é ano novo na China, eu estou numa de criar as resoluções e os desejos, que não tive tempo para processar tudo nos 365 dias de 2015.

domingo, 24 de janeiro de 2016

a história da minha resolução de ano novo

Estava no final do ano quando os braços que se me estendem não chegaram até mim. Quando tive de andar sem rede por baixo.
A fazer o que mais odeio na vida: tomar decisões. Cada decisão que tome vai invalidar, sempre, novas escolhas, alternativas, cada caminho que tome vai eliminar cem mil outros caminhos, outras pessoas, outras coisas.
Dizem-me que uma pessoa "como eu" (o que quer que isso queira dizer) tem de ter objectivos, de saber para onde quer ir, porque barco parado não segue caminho... Que tenho de ser a diferença que quero ver no mundo....
Num dos dias em que estava sozinha, irritada com tudo, decidi começar a furar uma corrente - se toda a gente está a ir no sentido contrário ao nosso, se calhar isso quer dizer que estamos no caminho errado, mas eu sempre achei que sou uma anti-sistema, por isso ia andando, cada vez mais depressa - andei tanto que o dia começou a escurecer e eu era novamente pequena, a desejar que a minha mãe percebesse que a estava a chamar por ela, algures, perdida. Na rua, não avistava ninguém. Eu, sem telemóvel, a desejar ter um objectivo, a desejar braços que me apertassem e dissessem que ia ficar tudo bem. A dada altura, decidi que o melhor era voltar para trás. Lembrava-me que o senhor me tinha dito esquerda, que eu tinha seguido, esquerda e depois direita - a questão é que não encontrava a direita. Voltei a andar, andar, andar, noite escura, a desejar ter alguém a quem perguntar onde é que poderia ir ter, alguém tem um carregador para o meu telemóvel, não, não é um i-phone, deixe lá que eu não vou morrer por causa disso. Depois de meia hora encontro o meu destino. Ouço vozes conhecidas, crianças, uma família cheia delas. Uma menina que vem a correr em direcção a mim para dar um beijinho e um abraço, eu sem reacção...
Há uns dias, e pela segunda vez em menos de um mês a morte a uns centímetros da minha cara, porque vou rápido de mais, o meu coração a falar mais alto, e de repente mil objectivos, mil decisões, mil coisas que mudava já ontem na minha vida. Essencialmente, as pessoas, não as quero ver apenas em funeral (seja o meu ou o delas), lamentar-me porque éramos amigos, família, conhecidos, daquilo que podíamos ter sido, enquanto eu andava a pensar o que fazer com a minha vida.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

chegou o ano em que desejo festejar para trás, ou porque é que a minha lua tinha de ser em caranguejo

Quando envio mensagens a dizer que tenho saudades, nem sempre quer dizer que tenho saudades da pessoa em questão, no momento, no aqui e agora. Tenho saudades do que fomos, porque a vida é maravilhosa, linda e magnífica, mas está sempre a avançar, o tempo passa por nós como os camiões TIR passam nas nacionais, uns atrás aos outros sem avisarem e darem a oportunidade de os ultrapassarmos. Tenho saudades da pessoa que eu fui, que eu era, e entristece-me saber que as coisas não voltarão para trás. Os donos das palavras chamar-lhe-iam melancolia.
E sim, sou daquelas pessoas que mesmo que pudesse voltar atrás, acabaria por não mudar nada - se soubesse na altura o que sei hoje, nunca teria chegado até aqui.
O que quer que aqui signifique - menos certezas, muitas inseguranças, queixumes, frustrações e alguma felicidade no meio da infelicidade. Pelas razões óbvias, e porque o amor é, continua a ser, e será sempre a base de tudo na vida.
Quando me perguntam se já tenho mais de 18 anos, tenho de pensar duas vezes antes de dizer que sim... Peter Pan, és tu que estás a chamar por mim?

domingo, 22 de novembro de 2015

amar

Volto à letra A para aprender a amar e a ser amada. 
Hoje falávamos da importância que é resolver as coisas cá dentro, as inseguranças, para viver com os outros sem sofrer tanto... Dos gordinhos, do bobo da corte, dos extrovertidos e divertidos que no fundo escondem, lá no fundo, grandes problemas e tristezas. Na vida, o que parece que é em muito, é sempre de desconfiar... Acredita.
 Não te expliquei que muito disso, que tiveste, é o que não consegues conceber que os outros não tiveram - amor, respeito, aceitação pela diferença de ideias, segurança... É bom poderes discutir sem nunca pôr em causa que a viagem chegou ao fim, porque sabes que o amor por ti é incondicional. Meu amor, é tão complicado explicar-te que não somos todos como tu, com os teus valores, com a tua educação... Ainda hoje tentava explicar e compreender como é que existem homens por aí dispostos a sacrificarem-se por uma ideologia, em que morrer e matar faz parte, mulheres dispostas a taparem a cara e renegarem a anos e anos de evolução pelos direitos das mulheres porque preferem ficar em casa a tomar conta das crianças e da casa, aprender a ler e pouco mais...
Proteger-te-ia deste mundo, se pudesse. Se não tivesse vontade de ser protegida de mim própria, antes destas questões todas da actualidade - a política, a economia, a sociedade, o mundo... Vem tudo numa lança apontada não a nós, mas ao nosso futuro.
Algures aqui, abraças-me. E por isso hoje, isso basta. 
Respiro mais, o ar verde e puro daqui. E anoitece tão rápido porquê?

domingo, 26 de julho de 2015

afinal, a minha vida não acabou na letra A

Olho para trás e lá estão vocês. Estão lá todos. 
Nos momentos maus, sempre que quis, estiveram comigo. Juntos rimos, trocámos sonhos, ideais, lágrimas de frustrações, de conquistas... Juntos enfrentámos correntes do mar, demos as mãos sob a noite cheia de estrelas, bebemos com muitos brilhozinhos no olhar. 
Eu gostava de ser uma fadinha, de vos arrastar das vossas vidas e transformar tudo em bonito e querido. Que triste e misera vidas estas as nossas, em que nunca temos tudo o que queremos - se temos o trabalho de sonho, faltará o grande amor vindo em cima do cavalo, se temos o amor falta o cavalo e o dinheiro para a casa, se temos a casa falta o dinheiro para os electrodomésticos...
Gostava que à minha volta fosse felicidade e amor, mas meus queridos, nunca vamos chegar à linha do horizonte, ela está lá para nos fazer avançar, mas não é suposto chegarmos lá...
Culpo o raio da nossa sociedade que nos educa a fazer acreditar que podemos ser quem quisermos - exceptuando que somos condicionados por tanta coisa, que até me dói a cabeça só de pensar... Por isso não, não podemos ser quem quisermos, seremos sempre melhores, a vida não se coaduna com perfeições, coaduna-se com imprevistos, com sorrisos, com amor, abraços, beijinhos e música. Sim?

Deitem fora as ideias de pantominice, os dramas, as lágrimas, as dores de cotovelo... Deitem fora as caixas negras e vivam a vida de olhos fechados e corações bem abertos!


(Dedico este texto a todos nós)



domingo, 7 de junho de 2015

do lado daqui...

Fecho os olhos e abraças-me com força.
Que quando estiver ansiosa tenho de pensar em cães ou gatos mortos. Eu sei que me fazes rir e que cuidas de mim como nunca ninguém o fez. Eu talvez te descuide como nunca ninguém o fez também, bebé de ouro dos teus... A tua vida é como um rio daqueles que vai desaguar ao mar, sem acidentes de percursos. Depois apareci eu!
Mexes-me no cabelo, que cheira tão bem, abraças-me muito e sei que queria estar mais perto do que isto. A distância é uma puta, li hoje numa qualquer página de Facebook. Leio tanto, vejo tanta coisa - e sabes, cada vez mais desencantada com as pessoas que me aparecem na vida. Cada vez a nossa natureza me espanta mais pela estupidez natural, que acredito ser infinita! Cada vez me fecho mais, quanto mais vejo - filme repetido na minha memória, pessoas boas são boas enquanto não se revelam más, pessoas más são más enquanto não surpreendem com coisas boas... Sorrio por estarmos longe disto, o nosso comboio vai lá à frente, longe desta confusão toda. Vai, não vai?
Perco-me nos teus olhos - peço-te o de sempre. Por instantes parece que estou num filme ("o filme!"), no final estou lá à tua espera, depois de tudo estar perdido por uns minutos, a vida tem um fim bom para todos nós, se não está tudo bem não é o fim - prometes?
Fico sempre com o coração apertado... Quando o lado daqui devia ser aí!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Equílibro

o meu desejo para o ano.
eventualmente, terei de comprar umas andas. ou isso, ou começo a fazer acrobacias no circo!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

há dias em que os carros nos parecem sempre em contramão, e os faróis ferem-nos a vista (desliguem os máximos, caramba!)

Do lado de lá, diz-me a senhora que é uma situação de violência doméstica, eu do lado de cá concentro-me que isto não é a linha da APAV, estás-me a mentir ou não, o marido anda a brincar com o dinheiro dele, são dois miúdos, mas todos mais velhos que 10 anos, não posso dizer nada, vai tudo ficar bem, os seus filhos têm direitos, como sabe, vai tudo correr bem, a violência é sempre calada, mas sim, tens razão, também combina com baixa escolaridade e isolamento. respiro fundo e avanço, não quero saber mais. 
E de repente - porque raio é que há pais que se amam mais uns aos outros que a quem tem de ser protegido? porque raio é que há quem sujeite os filhos a esta tristeza, a esta incerteza? porquê? porquê?
E vem-me à memória o I, em busca do super herói que desenhou para mim - e porque raio não fui também eu aquele super herói que me pediste com tanta urgência?
E a T., que a meio da noite se vinha aconchegar no meu colo com medo que me fosse embora, "sabes Inês, eles gritavam muito, não queriam que eu tivesse nascido", as lágrimas pequeninas como ela, os desenhos que pediam colo, mimo, casa, uma casa sem grades - onde os pássaros podem pousar e ficar enquanto quiserem.
Lembrei-me da R, a incerteza da vida, do amor por uma mãe que foi embora porque tinha um namorado mais importante, dos telefonemas a dizer "amo-te" no fim. Mas sempre de um olhar vazio, de quem espera o que nunca vem.
O meu coração fica apertado, tão apertado... E depois, faz-se luz - o caminho para mim não é tão difícil como às vezes me parece.

domingo, 29 de março de 2015

são as águas de março fechando o verão, dizia a Elis *

Está-me no código genético o atraso (não é o mental, é um problema interno com ponteiros do relógio, que está em manutenção...).
Atraso, muitas vezes, o que tenho para dizer com pretextos de coisas inadiáveis na minha vida. Em pequena vi uma imagem que ilustrava isto, ao que parece quem tem muito para fazer consegue fazer tudo e mais alguma coisa, quem está habituado a não fazer nada, nunca tem tempo para fazer muito mais do que o nada - eis-me no segundo grupo, a golpear-me com o chicote imaginário.
Enfim, voltando ao assunto que me traz aqui:
Desejo-te um ano em que possas entrar de pés juntos, tipo mergulho na piscina (sem chapa, por favor!). Um brinde com sangria de champagne e frutos silvestres, essas tretas caras que só o dinheiro pode pagar... Não, não é um brinde com sangria do Pingo Doce, e muito menos com aquela vodka de caramelo do Continente (que dá a volta à barriga quando consumida em quantidades pouco ponderadas e misturada com outro tipo de líquidos)... Um brinde à beira-mar, naqueles países sempre lindos nas revistas, a areia branquinha, o mar a trinta graus, sem ondas para me derrubarem... Uma noite a dançar, sem música foleira (ainda no outro dia pensava que NUNCA fomos a um sítio de onde eu não saísse devido à má qualidade da música.. Porquê, meu Deus?).
Desejo-te uma herança por reclamar, de preferência muitos zeros na conta - na do banco e da vida. Zeros de felicidade, daquela verdadeira. Muitos dias em que deites a cabeça na almofada e te sintas bem contigo, o cheiro a felicidade, a adrenalina de seres feliz por seres tu. Mais ninguém.
Poucas dúvidas, cada vez menos incertezas. E vamos parar com a teoria da conspiração, sim? O mundo é uma bola que rebola, dá-lhe pontapés que ele anda sempre para a frente - para a frente é o caminho, vamos sempre continuar a enfrentar ventos, mares, tempestades de areia e dias maus também.

Um beijinho enorme, do tamanho do mundo
E um brindeeeeeee!

*E ao que parece, é uma promessa de vida no teu coração.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

se eu cair, estarás desse lado para aplaudir?

S,

Foi na nossa única viagem juntas - primeira e última - que ouvi um pensamento que quero hoje partilhar contigo. Dizia o senhor padre, na altura da minha confissão - aquele tipo de confissão que é mais desabafo e conselho do que propriamente confissão - que eu devia abrir as portas ao amor. Sim, o amor de que me falaste há cerca de duas semanas. O que me marcou do que ele disse é que amar é saber deixar o outro ir, dar-lhe asas, dar-lhe um sítio onde se sinta bem. Dar espaço. Amor rima com liberdade, disse ele. E ficou-me no ouvido. Até hoje. Amor rima com liberdade, não com prisão. Com liberdade, porque o outro volta porque gosta verdadeiramente de nós - volta porque gosta de nós, porque nos ama. Porque se sente bem connosco.
Cansei-me de críticas, julgamentos. Dessa falsa mania de superioridade que mais não é que um forte sentimento de inferioridade crónico que faz com que o ataque àqueles que são sentidos como melhores seja a melhor técnica de defesa. Porque é sempre melhor criticarmos todos os que fazem e pensam de forma diferente, ao invés de fazermos o esforço por nos tornamos melhores... Afinal, escolhes sempre o caminho mais fácil. Mais fácil para te tornares numa pessoa difícil de gostar. Numa bolha protectora de fingir.
Dizia o anúncio da Mimosa que se "eu não gostar de mim, quem gostará?". E eu fico a pensar nisto... Sabes, há algum tempo atrás deparei-me com a ideia de que o "amor incondicional é aquele que os filhos têm pelos pais", que não há explicação relativamente ao brilho nos olhos de um bebé a olhar para o pai ou para a mãe. Os meus olhos já não brilham.
E sim, quem semeia ventos colhe tempestades! Mas esta não é a hora de inversão de papéis, nem de jogar ao "Quem é Quem".
Deixo ainda uma pequena nota: nascemos do amor, sempre - da união de duas pessoas, do milagre que é 1 e 1 serem 3. Crescemos no amor - o amor no olhar do outro, no respeito e no reconhecimento do outro. Faz parte da vida, porque a vida é isso. A procura pela outra metade, que nos enche o coração. Independentemente de todo o resto, ou de termos tanto medo da rejeição do outro que mentimos a nós próprios que somos auto-suficientes. Até um dia...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

catorze

como é que podemos dizer que um ano foi mau? O dois mil e catorze não atentou pessoalmente contra mim, vistas bem as coisas até foi um ano de algumas vitórias e não me posso queixar, porque o tempo tem-me mostrado que o dia de amanhã pode ser sempre pior - dois mil e catorze, a sério que me levaste a réstia de esperança vindoura dos anos subsequentes? Misericórdia!

foi um ano de perdas, das grandes, médias e pequenas. sofrimento foi a palavra de ordem, em plano de fundo, sempre presente quase 24 sobre 24 horas. discuti mais do que a conta, chorei mais do que devia, não ri tanto como desejava e os abraços foram, na sua maioria, agridoces - está cientificamente comprovado que cerca de 50% sabiam a despedida! nem vou falar das mensagens e telefonemas desagradáveis para não deprimir já por aqui.
foi um ano de falhanços, pata na poça, pautado pelo mau gosto musical, pelos medos e ataques de pânico, noites sem dormir e manhãs em que apetecia ficar na cama. os fins-de-semana foram passados a dormir, na maioria das vezes. ou em transporte.
aprendi muito, e ficou tanto por fazer. aprendi a importância de ouvir antes de pensar na resposta a dar. e a desenrascar (como diz o meu mais que tudo, um homem enrascado é pior que uma mulher grávida.... o que quer que isso signifique).
recebi mais do que aquilo que dei - e quem semeia ventos, colhe tempestades.
olho para este novo ano com a urgência do quinze. este ano coloquei na mudança de ponteiros e de calendário a carga emocional da mudança - se vai resultar, só o tempo o dirá. 
por agora, sempre, na linha que separa a normalidade do resto - mas se 1 em cada 5 pessoas tem doença mental...


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

começar a andar

Desde sempre que soube que as minhas aquisições ao nível motor foram quase fora do tempo esperado. Por isso sempre vivi com a noção de ser atabalhoada, com dificuldade na coordenação e motricidades (fina e grossa). Em família, às vezes ouvia comentar que isso devia vir nos genes, uma teoria a que nunca dei muito troco até porque só eram nomeadas duas ou três pessoas de muitas.
Há uns tempos atrás, dizia a minha mãe que os bebés que começam a andar mais cedo têm o problema das quedas, que alguns depois da primeira queda não querem voltar a andar e voltam a gatinhar. Uns dias depois, lembrei-me de perguntar à minha mãe se eu fazia parte desses bebés. "Por acaso" sim.
E uma série de situações fizeram sentido para mim. Lembrei-me da escola, do ler, do escrever, do pensar, do sentir e do brincar, da faculdade, os primeiros tempos, da carta de condução, do medo de conduzir e de tudo quanto implique um movimento que perco controlo. Sempre um período mais ou menos complexo de habituações, e nunca a segurança plena. 
Ao que parece, a gravidade exerce a sua pressão em mim, desde pequenina. E isso, para mim, explica tanta coisa!

terça-feira, 1 de abril de 2014

feliz dia

graças a ti nunca poderei saber o que é um dia das mentiras sem sentir o peso de estar a mentir. nunca saberei o que é ter uma conversa sem atender aos detalhes mais ínfimos com medo que me estejam a enganar.
obrigada pela falta de confiança que tenho no mundo e em tudo aquilo que me rodeia. por me fazeres ser uma descobridora da verdade, ou uma detectora de mentiras, como preferires.
dói sermos enganados, acreditar vezes e vezes sem conta - até àquele ponto em que já não sabemos mas acreditamos porque é o melhor, para todos.
dói ainda mais quando não estamos orgulhosamente sós, mas estamos apenas sós - na luta contra aquilo que sabemos ser verdade, que é tão evidente que se torna ridículo. como dói quando ridicularizas o mundo à tua imagem e semelhança, e dás o dito pelo não dito.
feliz dia de enganos, de mentiras, de histórias do arco da velha, de teorias da conspiração. de tretas e mentiras esfarrapadas. de tentativa de corrigir o erro já mais que feito. espero que ao longo da tua vida encontres muita gente que te saiba fazer boas ratoeiras, que te prenda nas tuas próprias malhas, que se orgulhe de enganar, como tu orgulhas de fazer às pessoas que mais te amam. 
hoje é dia de comeres bolo e homenageares tudo aquilo que és. de seres verdade na única coisa em que és.

Feliz dia!

quinta-feira, 13 de março de 2014

apontamento mental

No ano em que vou fazer 25, olho para trás e parece que foi há uma vida atrás que passeava de mala de viagem pela avenida, sempre, sempre atrasada. Com certeza gostarias de saber que já não chego atrasada - tanto! - e que estou a treinar o meu comportamento colaborante quando os outros estão em apuros. Sim, agora estou a tentar rir-me depois, de preferência quando estou sozinha e revejo mentalmente a situação na minha cabeça... Mantenho uma relação esquisita com a comida, agora mais desregrada e assumindo que gosto de comer tudo aquilo que faz mal, mas que tenho uma saúde impecável que me permite ir dar sangue e ser elogiada por ter um sangue "tão bom". Excepto quando tenho anemia. Tenho pensado que o controlo é lixado, e que urge encontrar o meu ponto de equilíbrio.
Às vezes lembro-me da minha amiga Ana, que me disse abertamente que eu tinha tido maternáge, e eu cada vez mais tenho falta de sentir que a tenho, tenho tanta mas tanta falta de laços verdadeiros como no Principezinho. Está tão longe a esplanada, os pôres do sol, e noutra realidade os chás divididos e as torradas com muita manteiga na nossa amiga brasileira. Está a anos luz a Calouste Gulbenkian, a chuva que em Lisboa não molha, e o frio que nos permite deixar o casaco em casa. Neste pack juntei, obviamente, a primeira vez que subi a Avenida das Forças Armadas à noite. 
Continuo a dar voltas ao texto para dizer coisas óbvias, e agora ainda me enrolo mais porque cada vez escrevo menos e pior, dia após dia. Tem dias em que não me apetece escrever, e ler só o que me agrada.
Tenho lido mais policiais do que aquilo que alguma vez achei ser humanamente possível. 
Descobri que sou a pessoa mais insistente do mundo, que ganho pela exaustão e nem sempre pela razão. Que já não sei ser porto de abrigo, porque descobri o que é ser abrigada. 
Antes dos 25, fui acordada pela pessoa cuja brevidade mais me marcou nos últimos tempos. Deixei-a ir, com o maior sentimento de culpa de sempre. Até ela está longe, no verde dos olhos mais traquinas de sempre. Ao que parece, isso mudou a minha forma de ver as coisas e de estar. Só o tempo o dirá.
Agora estou mais silêncio e menos ruído - aprendi a fazer silêncio quando tem de ser, e a calar-me por causas mais nobres. 
Mantenho-me contraditória e a analisar os outros naquilo que não é visível aos olhos. Só ao coração, e às vezes, até quanto a isso tenho dúvidas...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013


Como eu gostava de ter braços que esticassem até aí, e te trouxessem até mim. Braços gigantes para te proteger do abandono e do desamor ("Sabes, os meus pais não queriam que eu nascesse.").
Aconchegar-te de noite, acordar com o teu vulto a perguntar por mim, dizer-te que não faz mal, que podes dormir mais um bocadinho. Fazer-te festinhas no cabelo e dar-te muitos beijinhos. Quem me dera ter um colo gigante, para te dar mimo e fazer-te esquecer todo o mal do passado. Mostrar-te que a vida nos reconstroi, que eu sou um mar calmo para navegar, te posso amar, respeitar e reconhecer como única.
Muitos dias tenho pensado como gostava de apagar as lágrimas do teu rosto, ter-te abraçado e ter-te roubado ao mundo a que estás destinada. Há dias em que tenho vontade de ter uma varinha mágica, mudar a minha vida, e a tua por acréscimo... Às vezes apetece-me pegar em ti e trazer-te para aqui, para o frio e húmido Oeste.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Eu, Sofia

Te agradeço por seres tudo aquilo que levaria cem mil vidas a procurar. Por me teres dado a mão em todas as noites em que precisei. Por termos vivido como adolescentes inconscientes, por me teres visto a dormir e te teres preocupado como poucos se preocupariam. Por me dares a mão "como os irmãos". Por me fazeres rir quando tudo o resto está a ruir, por seres colo nos dias de choro e tristeza. Por seres tão "eu", por me ouvires e por me dizeres tudo aquilo que sou de mau, sem mentiras e meias-verdades. Por me magoares e me deixares magoar-te. Por poder ser agressiva e ciumenta e birrenta contigo "mesmo que não se justifique". Por me ensinares o amor, a 180º de rotação...
Porque, volto a repetir, podia palmilhar meio mundo e o outro inteiro, e tenho a certeza que os astros não se iriam unir para nos juntar desta forma. Porque tu és dia, e noite... És também, para mim, Vida. És um prolongamento da "menina que sonhava em sonhar", da "menina que persistia em persistir". E foste, e sempre serás, a pessoa que me disse que me faltava uma coisa: acreditar.
(E se te esqueceste, eu não!)
Eu, Sofia, te agradeço todos os conjuntos de 365 dias que me deste. O facto de teres tentado subir as muralhas da minha vida, teres chegado lá "fácil" e por teres lá ficado.
Obrigada, "meu" Júlio!