Está-me no código genético o atraso (não é o mental, é um problema interno com ponteiros do relógio, que está em manutenção...).
Atraso, muitas vezes, o que tenho para dizer com pretextos de coisas inadiáveis na minha vida. Em pequena vi uma imagem que ilustrava isto, ao que parece quem tem muito para fazer consegue fazer tudo e mais alguma coisa, quem está habituado a não fazer nada, nunca tem tempo para fazer muito mais do que o nada - eis-me no segundo grupo, a golpear-me com o chicote imaginário.
Enfim, voltando ao assunto que me traz aqui:
Desejo-te um ano em que possas entrar de pés juntos, tipo mergulho na piscina (sem chapa, por favor!). Um brinde com sangria de champagne e frutos silvestres, essas tretas caras que só o dinheiro pode pagar... Não, não é um brinde com sangria do Pingo Doce, e muito menos com aquela vodka de caramelo do Continente (que dá a volta à barriga quando consumida em quantidades pouco ponderadas e misturada com outro tipo de líquidos)... Um brinde à beira-mar, naqueles países sempre lindos nas revistas, a areia branquinha, o mar a trinta graus, sem ondas para me derrubarem... Uma noite a dançar, sem música foleira (ainda no outro dia pensava que NUNCA fomos a um sítio de onde eu não saísse devido à má qualidade da música.. Porquê, meu Deus?).
Desejo-te uma herança por reclamar, de preferência muitos zeros na conta - na do banco e da vida. Zeros de felicidade, daquela verdadeira. Muitos dias em que deites a cabeça na almofada e te sintas bem contigo, o cheiro a felicidade, a adrenalina de seres feliz por seres tu. Mais ninguém.
Poucas dúvidas, cada vez menos incertezas. E vamos parar com a teoria da conspiração, sim? O mundo é uma bola que rebola, dá-lhe pontapés que ele anda sempre para a frente - para a frente é o caminho, vamos sempre continuar a enfrentar ventos, mares, tempestades de areia e dias maus também.
Um beijinho enorme, do tamanho do mundo
E um brindeeeeeee!
*E ao que parece, é uma promessa de vida no teu coração.
domingo, 29 de março de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
se eu cair, estarás desse lado para aplaudir?
S,
Foi na nossa única viagem juntas - primeira e última - que ouvi um pensamento que quero hoje partilhar contigo. Dizia o senhor padre, na altura da minha confissão - aquele tipo de confissão que é mais desabafo e conselho do que propriamente confissão - que eu devia abrir as portas ao amor. Sim, o amor de que me falaste há cerca de duas semanas. O que me marcou do que ele disse é que amar é saber deixar o outro ir, dar-lhe asas, dar-lhe um sítio onde se sinta bem. Dar espaço. Amor rima com liberdade, disse ele. E ficou-me no ouvido. Até hoje. Amor rima com liberdade, não com prisão. Com liberdade, porque o outro volta porque gosta verdadeiramente de nós - volta porque gosta de nós, porque nos ama. Porque se sente bem connosco.
Cansei-me de críticas, julgamentos. Dessa falsa mania de superioridade que mais não é que um forte sentimento de inferioridade crónico que faz com que o ataque àqueles que são sentidos como melhores seja a melhor técnica de defesa. Porque é sempre melhor criticarmos todos os que fazem e pensam de forma diferente, ao invés de fazermos o esforço por nos tornamos melhores... Afinal, escolhes sempre o caminho mais fácil. Mais fácil para te tornares numa pessoa difícil de gostar. Numa bolha protectora de fingir.
Dizia o anúncio da Mimosa que se "eu não gostar de mim, quem gostará?". E eu fico a pensar nisto... Sabes, há algum tempo atrás deparei-me com a ideia de que o "amor incondicional é aquele que os filhos têm pelos pais", que não há explicação relativamente ao brilho nos olhos de um bebé a olhar para o pai ou para a mãe. Os meus olhos já não brilham.
E sim, quem semeia ventos colhe tempestades! Mas esta não é a hora de inversão de papéis, nem de jogar ao "Quem é Quem".
Deixo ainda uma pequena nota: nascemos do amor, sempre - da união de duas pessoas, do milagre que é 1 e 1 serem 3. Crescemos no amor - o amor no olhar do outro, no respeito e no reconhecimento do outro. Faz parte da vida, porque a vida é isso. A procura pela outra metade, que nos enche o coração. Independentemente de todo o resto, ou de termos tanto medo da rejeição do outro que mentimos a nós próprios que somos auto-suficientes. Até um dia...
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
catorze
como é que podemos dizer que um ano foi mau? O dois mil e catorze não atentou pessoalmente contra mim, vistas bem as coisas até foi um ano de algumas vitórias e não me posso queixar, porque o tempo tem-me mostrado que o dia de amanhã pode ser sempre pior - dois mil e catorze, a sério que me levaste a réstia de esperança vindoura dos anos subsequentes? Misericórdia!
foi um ano de perdas, das grandes, médias e pequenas. sofrimento foi a palavra de ordem, em plano de fundo, sempre presente quase 24 sobre 24 horas. discuti mais do que a conta, chorei mais do que devia, não ri tanto como desejava e os abraços foram, na sua maioria, agridoces - está cientificamente comprovado que cerca de 50% sabiam a despedida! nem vou falar das mensagens e telefonemas desagradáveis para não deprimir já por aqui.
foi um ano de falhanços, pata na poça, pautado pelo mau gosto musical, pelos medos e ataques de pânico, noites sem dormir e manhãs em que apetecia ficar na cama. os fins-de-semana foram passados a dormir, na maioria das vezes. ou em transporte.
aprendi muito, e ficou tanto por fazer. aprendi a importância de ouvir antes de pensar na resposta a dar. e a desenrascar (como diz o meu mais que tudo, um homem enrascado é pior que uma mulher grávida.... o que quer que isso signifique).
recebi mais do que aquilo que dei - e quem semeia ventos, colhe tempestades.
olho para este novo ano com a urgência do quinze. este ano coloquei na mudança de ponteiros e de calendário a carga emocional da mudança - se vai resultar, só o tempo o dirá.
por agora, sempre, na linha que separa a normalidade do resto - mas se 1 em cada 5 pessoas tem doença mental...
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
começar a andar
Desde sempre que soube que as minhas aquisições ao nível motor foram quase fora do tempo esperado. Por isso sempre vivi com a noção de ser atabalhoada, com dificuldade na coordenação e motricidades (fina e grossa). Em família, às vezes ouvia comentar que isso devia vir nos genes, uma teoria a que nunca dei muito troco até porque só eram nomeadas duas ou três pessoas de muitas.
Há uns tempos atrás, dizia a minha mãe que os bebés que começam a andar mais cedo têm o problema das quedas, que alguns depois da primeira queda não querem voltar a andar e voltam a gatinhar. Uns dias depois, lembrei-me de perguntar à minha mãe se eu fazia parte desses bebés. "Por acaso" sim.
E uma série de situações fizeram sentido para mim. Lembrei-me da escola, do ler, do escrever, do pensar, do sentir e do brincar, da faculdade, os primeiros tempos, da carta de condução, do medo de conduzir e de tudo quanto implique um movimento que perco controlo. Sempre um período mais ou menos complexo de habituações, e nunca a segurança plena.
Ao que parece, a gravidade exerce a sua pressão em mim, desde pequenina. E isso, para mim, explica tanta coisa!
terça-feira, 1 de abril de 2014
feliz dia
graças a ti nunca poderei saber o que é um dia das mentiras sem sentir o peso de estar a mentir. nunca saberei o que é ter uma conversa sem atender aos detalhes mais ínfimos com medo que me estejam a enganar.
obrigada pela falta de confiança que tenho no mundo e em tudo aquilo que me rodeia. por me fazeres ser uma descobridora da verdade, ou uma detectora de mentiras, como preferires.
dói sermos enganados, acreditar vezes e vezes sem conta - até àquele ponto em que já não sabemos mas acreditamos porque é o melhor, para todos.
dói ainda mais quando não estamos orgulhosamente sós, mas estamos apenas sós - na luta contra aquilo que sabemos ser verdade, que é tão evidente que se torna ridículo. como dói quando ridicularizas o mundo à tua imagem e semelhança, e dás o dito pelo não dito.
feliz dia de enganos, de mentiras, de histórias do arco da velha, de teorias da conspiração. de tretas e mentiras esfarrapadas. de tentativa de corrigir o erro já mais que feito. espero que ao longo da tua vida encontres muita gente que te saiba fazer boas ratoeiras, que te prenda nas tuas próprias malhas, que se orgulhe de enganar, como tu orgulhas de fazer às pessoas que mais te amam.
hoje é dia de comeres bolo e homenageares tudo aquilo que és. de seres verdade na única coisa em que és.
Feliz dia!
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